Thiago Balbino

Vitória, 1984. Graduando em Artes Plásticas, UFES.
• Oficina de Grafite durante o \”Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia\”, 2005/01.
• Oficina de Pintura durante o projeto \”Férias no Parque Executado em São Pedro\”, promovido pela Fundação Ceciliano Abel de Almeida e PROEX /UFES e PMV – Prefeitura Municipal de Vitória, 2005.
• Pintura de um Painel para o \”Projeto Vitória pela Paz\”, promovido PMV – Prefeitura Municipal de Vitória, 2005.
• Participação em 7 exposições coletivas dentro do \”Projeto Quanto mais Arte Melhor\”, 2004/01, 2004/02, 2005/01, 2005/02, 2006/1, 2006/2, 2007/1, 2007/2
• Exposição Individual na Galeria Homero Massena, Vitória ES, do dia 28 de Julho até o dia 29 de agosto de 2008.
• Exposição Coletiva- Artistas do Brasil, no salão Negro do Senado Nacional, em Brasília DF, do dia 11 de sentembro de 2008.
• Trabalho voluntário na instituição \”Amor e Vida\” – Elaboração de Portifolio, 2005.
• Trabalho voluntário na instituição \”Jesus Menino\” – Elaboração da Logomarca, na 2ª Semana Cultural de Instituições Filantrópicas, 2005/02.
• Estagiário por um ano como Monitor de Exposições no Museu de Artes do Espírito Santo (MAES).
• Produção de cenário para o Stand da Aracruz Celulose -Feira do Verde 2007
• Produção de Adereços para o conserto de natal 2007 – CST/Arcelor Brasil.

Thiago Balbino: O Parafuso e a Membrana
O que atrai mais a atenção do olhar são as cores, a força das cores, muito quentes, quase como uma espécie de fosforescência, mas não é pintura fosforescente. As figuras humanas lembram a arte dos quadrinhos com algo, como estes, de infantil, sem dar uma conotação pejorativa a essa palavra.

Arte de adulto que não matou a criança dentro de si, o que é raro. Em geral o adulto se fossiliza na sua profissão, nos seus múltiplos papéis (pai, marido, amante etc…) e perde nele essa criança que lhe permitiu uma paixão de ser vivo e de brincar de ser vivo.

E assim o adulto reifica seu imaginário ou até o mata, vendo nele algo que é da ordem da obscenidade (as crianças são alegremente obscenas).

Mas ao lado dessa criança, há na pintura de Thiago a presença de algo que é da ordem do ectoplasma; essa espécie de geléia viva que constitui nossas células. É como se estivéssemos em um mundo antes do advento das formas. O mundo da Geléia Geral (Torquato Neto, Tropicalismo) – é, de certa maneira, uma volta ao plasma primordial, ao coração genético de todas as matérias.

Pode lembrar as poesias de Augusto dos Anjos, mas o colorido intenso, quase fosforescente, diz que esses ectoplasmas da vida são da vida, e não da morte cinzenta (ver também a exposição na Galeria Homero Massena de Fernando Augusto).

É o ponto quase zero da criação do mundo. Nesse ponto não é madônico, não é da ordem do Ágape.
É um ponto de crueldade, mais ainda um ponto de devoração.

O título da exposição é Cólera Antropofágica e os rostos meio trêmulos, imensa boca que vai devorar o mundo, os pequenos homens, feito homúnculos subdesenvolvidos – lembra Saturno devorando seus filhos (o tempo) de Goya, mas no caso de Thiago a explosão fovista, até carnavalesca das cores inclui no ato de devoração algo que é alegre.

E isso tem a ver com os índios brasileiros que comiam seus inimigos, mas comiam os fortes para herdar, para digerir sua força. Uma devoração para dar mais luz nas cores e não para tecer a noite suja do tanatos europeu.

Cólera pode evocar além do sentimento de raiva, uma invasão de micróbios, algo epidêmico como a peste e o deus Dionísio, da embriaguez, deus do Carnaval Brasileiro por excelência.

Talvez essa devoração geral, essa Geléia Geral e esse lado epidêmico, são a hipóstase de uma mesma entidade divina e monstruosa, como todos os deuses, e que consagra rituais sangrentos ou de sangue de outra cor – uma matança ritual que faz surgir o que?

Porém, ao lado e embutido nesse mundo orgânico, há um mundo tecnologizado, robótico. Aparecem elementos que lembram mecânicas ou circuitos eletrônicos que nos colocam num mundo onde se constrói e se desconstrói um homem meio carne meio “techné”, um andróide.

E se a devoração pode lembrar os índios, a tecnologia pode lembrar o Brasil moderno/modernista, sobretudo em sua manifestação mais sintomática: São Paulo de todas as reluzências: gás néon e faróis.

E curiosamente, há, às vezes, elementos pequenos que podem lembrar uma porca ( não a fêmea do porco mas o contraponto, a fêmea do parafuso) e essa porca sangra; há tinta vermelha que escorrega como sangue de uma ferida.

Bela metáfora desse mundo tecnológico, metálico e frio, adepto da indiferença para com o orgânico, o biológico se vendo assim como conquistado ou acasalado com a Geléia Geral dos organismos!

É talvez uma metáfora lúcida do mundo de hoje, do momento hoje: não mais um simples produto do biológico, porém, um produto de si como se já estivéssemos no limiar do surgimento de um novo ser, meio carne meio técnica, o andróide, o filho do homem!

O paradoxo, no caso de Thiago Balbino, é que esse homem andróide não é puro robô, também não é o resultado exclusivo de manipulações genéticas, ele é híbrido, meio biológico meio tecnológico e na verdade esse homem já existe.
O que é isso, esses homens e mulheres que vivem com uma espécie de pilhas para fazer funcionar o coração? E outros lirismos das máquinas pensantes, como os computadores?
A grande entidade já está surgindo: o “Horla “, o novo deus humanóide, o super homem, ele já está ali, nesta dança devoradora da megalópolis, ele, como Saturno, mastiga os pequenos homens nos seus dentes tecnológicos.

Mas, ao mesmo tempo, faz que o bicho-homem deixe de fabricar deuses para finalmente fabricar a si mesmo. Afinal ele não é chamado de Homo Faber?
E essa idéia de um homem que é obrigado a se reconstruir, porque não existe à priori, tem um cheiro existencialista, mas aqui um existencialismo tropicalista, que desconhece o mormaço cinzento-metafísico do Dr. Sartre, e que pisa alegremente na sopa híbrida, sangrenta e alegre dos trópicos tropicalistas.

Os “Tristes Trópicos” sobram para aqueles que perderam Dionísio nos caminhos do mundo e nas encruzilhadas do ser. Cadê Exu?

A pintura de Thiago Balbino nos mostra essa convicção enrraizada na Terrae Brasilis, a de que Deus é Brasileiro, a de que Deus é tropicalista.

E assim o antigo conceito de angústia existencialista, a anemia crônica das “Oropas”, desvanecem na noite vazia e Macunaíma-Deus-Tótem tutelar de pele vermelha e negra, Macunaíma dá um arroto cósmico, que faz as entidades das brumas recuar dez passos nos fiordes existencialistas da Escandinávia: E. Munch, Stringberg, Bergman e consagra a festa solar e sangrenta, o Carnaval do Deus vivo e devorador. Notável inversão onde são as entidades (divinas) que devoram os homens, enquanto no cristianismo é o contrário: a hóstia consagrada, isto é o meu corpo, consagra a teofagia.

Assim, esses rituais de Thiago Balbino, nas suas pinturas rituais canibalisticas, antropofágicas, são certamente uma forma lógica do humanismo: o homem devora o homem.

Mas assim, por esse processo, ele se torna Deus. Por que o papel dos Deuses é a devoração dos homens.

Assim, Thiago vira sacerdote de uma religião aparentemente humilde, mas que se insinua mais que qualquer reza clássica – e essa religião é a arte.

E Thiago, assim se auto-consagra, o que é a melhor maneira de nascer a si mesmo.

É um artista que se encontrou – não quer dizer que ele vai ficar nesse eterno encontro.

Porque, como eu , como qualquer humano que se preza como tal, ele sabe que o preço de sua duração pode ser o preço de sua nova morte.
E só se você tem uma consciência bem estruturada, você consegue assistir a própria morte.

Mas Thiago está dançando magnificamente corpo a corpo com Dionísio, o grande pirado da paróquia, e isto lhe dá o direito que poucos podem ter; por que são poucos os que voltam de todos os paraísos perdidos e que encontram ainda em si a força de se erguer, a força de ser aquele que não é, e que se faz, entre a ténica e a poesia, entre o fígado e o arranha-céu, suando o sangue de uma identidade da qual só se percebe o focinho eletrônico onde está cravada a rosa do porvir. Quem diria?

Gilbert Chaudanne, 2008
Pintor e escritor

 Exposição Cólera Antropofágica (texto de plotter)

É o tempo que separa a celebração cauim pepica dos tupinambás desta exposição.
E é a fome por absorver as diferentes formas de observar o entorno é o que aproxima.
Como uma figura tribal caminho pela selva de concreto e aço, em busca de matéria prima.
Buscando me alimentar do que encontrei, absorvi muitas idéias e construí uma linguagem pictórica, como um golpe forte Ibira Pema na cabeça da vitima a ser devorada, tudo isso me veio neste 1 ano de produção, entre noite viradas em busca do caminho que eu mesmo desconheço, a minha pintura sempre esteve sintonizada nas ondas do que eu encontrava pelas ruas. Tanto em forma de objeto quanto em forma de pensamento coletivo.
O resultado disso é a exposição cólera antropofágica.

Thiago Balbino

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