Construção

Exposição..

Lançamento Edital Arte e Patrimônio 2009

Uma mesa-redonda com a presença da artista Ana Maria Tavares, Carol Abreu, do IPHAN, e Afonso Luz, do Ministério da Cultura, marcará o lançamento do Edital Arte e Patrimônio 2009 em Vila Velha, Espírito Santo. O Edital integra o Programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura, e disponibilizará recursos de R$ 1 milhão, para um total de dez projetos que estabeleçam diálogo entre as artes visuais contemporâneas e o patrimônio artístico e histórico nacional. Cada projeto receberá até R$ 100 mil. O patrocínio é da Petrobras.

O Edital, que está em sua segunda edição, tem o objetivo de relacionar e valorizar dois universos de referências culturais: de um lado, trabalhos artísticos e processos estéticos atuais e, de outro, os acervos, as tradições, as culturas e os sítios que estabelecem a memória do País.

Haverá um ônibus gratuito, disponível aos interessados, saindo do estacionamento do Centro de Artes da UFES às 18h. O mesmo retornará à UFES após a palestra.

 

Serviço: Lançamento do Edital Arte e Patrimônio 2009 – Vila Velha

Museu Vale

Endereço: Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n

Argolas – Vila Velha – ES

29114-920

Telefone: 27.3333.2484

http://www.museuvale.com

Entrada franca

Análises, leituras e afins

Da paisagem e do tempo. 1957  Maria Leontina.

Da paisagem e do tempo. 1957 Maria Leontina.

Vemos muitos triângulos, quadrados, linhas retas e retângulos. A maioria dos desenhos estão na parte debaixo, usam cores frias, poucas cores quentes. O desenho é cinza, o que me mostra poluição ou escuridão. A linha do horizonte se localiza no primeiro plano do desenho.

Entendemos o desenho como sendo uma cidade urbana, o céu parece poluído ou está anoitecendo. Entendemos que os quadrados e os retângulos são as casas e janelas, os triângulos são os telhados. Na cidade vemos uma torre.

Análise produzida unicamente a partir de referência visual da obra da artista Maria Leontina, sem qualquer outra informação técnica da obra, pelos alunos: Bernardo Luna, Daniel Baptista, Daniel Félix, João Pedro Siqueira, João Victor Alvarenga e Micael Rodrigues. Todos cursando o 8o ano do Ensino Fundamental.

Relógio da Casa dos Braga

Foi Roubado da Casa dos Braga em Cachoeiro de Itapemirim-ES, onde viveu Rubem Braga, o maior cronista do Brasil e um dos maiores do mundo.

Citado em suas crônicas e presente na Casa desde o começo do século XX, o relógio tem um valor cultural enorme, não só para a família mas também para o público, e para quem roubou também, pois está retirando um objeto e de si mesmo, pois roubando-o, nós ficamos subtraídos de memória, e sem memória não se reflete o presente e nem se melhora o futuro.

Fica o apelo para que façamos um mutirão na net, pelo ES e pelo Brasil, pelas ruas, pelos bares, comércio e enfim, qualquer conversa casual para sensibilizarmos quem roubou, para que devolva não apenas o objeto, mas também parte da identidade de Cachoeiro de Itapemirim.

Estamos tentando arrumar a casa, se todos ajudarem (incluindo o ladrão), arrumamos melhor e acabamos mais rápido.

Diego Scarparo

SEMAC – Secretaria Municipal de Arte e Cultura / Cachoeiro de Itapemirim-ES

em: http://relogiodorubem.blogspot.com/

ANAGRAMA

ANAGRAMA – Expo de Mônica Nitz

Expo de Mônica Nitz em Viana

Expo de Mônica Nitz em Viana

Uma revisão da linguagem da pintura

Artigo publicado no Jornal A Gazeta em 10 de Abril de 2009 – Vitória/ESNão quero ser cinza

O poder de atração de uma pintura, grande ou pequena, vem da capacidade de nos extrair do mundano e do cotidiano. Uma experiência de troca que se compara muito com o sentido antropológico de rito de passagem, que a ciência define como necessários para dar sentido à mudança de posição dentro do sistema. Em ambos os casos, o espectador ou o noviço são retirados de sua sociedade, ficam invisíveis socialmente e retornam ao seu universo com uma nova perspectiva. Implica um exercício que nos faz mudar o ponto de vista e, com isso, alcançar uma nova visão de mundo, quase que como um retorno triunfal. Cada troca é uma prova de que ainda vale a pena abstrair as demandas terrenas para transcender a percepção.

É possível afirmar que o grau de impacto de uma troca se deve em parte à surpresa estética do objeto de arte. Esse é justamente um dos aspectos mais característicos do trabalho de Thais Apolinário (que integra a coletiva “Vendo”, em cartaz até 30 de abril no segundo andar da Galeria Homero Massena, Centro de Vitória). Com alto poder de provocação e sensibilidade inquieta, de reflexos suaves e elegantes, a artista consegue combinar com maestria elementos plásticos com a ação do acaso. A sua pintura parece pertencer inteira à cultura da experiência, por isso provoca, não é um resultado pragmático, preso, alicerçado a um programa. É um processo livre, desprendido, que sempre surpreende.

Acompanho seu trabalho há algum tempo. Possivelmente o mesmo tempo que pesquiso arte contemporânea. Se a questão sobre a autonomia dos meios artísticos foi um debate inaugurado em 1979, quando da publicação do artigo “A Escultura no Campo Ampliado de Rosalid Krauss”, o processo de Apolinário aponta para uma discussão sobre a produção em pintura. Ainda que o campo ampliado esteja disseminado pela arte contemporânea, algumas categorias e gêneros tradicionais, como a pintura, se mantêm até os dias atuais com preceitos e narrativas atrelados a julgamentos ultrapassados.

A nova série “Cola”, uma espécie de camada crua, postula a autônima do processo de pintura de todas as possíveis formas de representação formal. A partir de uma pesquisa em tintas, a artista consegue congelar o gesto e o processo. Da técnica de pintura se retirou a camada pintura, dissecando-a e expondo a fragilidade do gênero. O resultado gerado é uma película pura e simples de pintura, que extrapola o bidimensional. Sem suporte, camadas ou proteção, o objeto é a exibição crua e revirada do processo.

A discussão aqui não chega ao campo da escultura, pois neste caso existe o processo produtivo da pintura. O desenvolvimento dessa série alcança autonomia do suporte, mas não chega a se descolar de sua categoria, pois sua concepção está ainda atrelada aos meios clássicos, contudo este translado acaba por trazer o objeto mais para dentro dele.

A audácia desta artista pintora de remover o seu trabalho dos tradicionais meios de representação é fenomenal, dissecá-lo é por em prova o meio de sobrevivência do gênero. E, mesmo assim, ela retirou, dobrou, torceu e revirou de cabeça para baixo o seu objeto. Esse é, com certeza, um fato que gera importantes revisões no campo da pintura em nossos dias.

Por Henrique César Guimarães – graduando em Arquitetura e Urbanismo, pesquisador do Grupo de Pesquisa e Projetos Territoriais Conexão Vix, do Departamento de Arquitetura da Ufes e colaborador do HNA.