Olhar sobre acervo/Escala Afetiva

Um Olhar A(fe)TIVO

No verão de 1993, recebi, por ocasião de mais uma primavera, uma proposta/presente de estágio interno na Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES – espaço em que acabara de ingressar como aluno do curso de Artes Plásticas. Com o início de minha empreitada na Galeria do Espaço Universitário, tomei contato com o precioso acervo artístico que ali está acomodado. Neste encontro me foram apresentadas algumas matrizes de minha formação como artista educador.

O contato com as obras trouxe-me algo mais, além dos valiosos conhecimentos técnicos de manuseio e manutenção destas, descortinou todo um prazeroso universo de imagens e objetos sonhados – antes só as contemplava indiretamente através de livros, catálogos, fotos, artigos,… e desejava esse pequeno mundo denso, visto pelos filtros impressos até aquele momento.

Livre dos filtros e traduções fotográficas, lá estava tudo, bem ao alcance do olhar e do tocar. Esta troca rica e densa com este espaço e seus vários mundos, que muito colaborou para o lugar onde me encontro agora, retorna de modo potente através do convite da Galeria Espaço Universitário para a realização de uma mostra de seu acervo sob o meu olhar.

Como possibilidade desta mostra, surge uma série de reflexões acerca de minha estada na galeria e na escola de Artes: o contato com os colegas, alunos, funcionários, amigos e professores – muito dos quais presentes aqui – artistas que generosamente abriram seus processos e modos de trabalho, suas visões de mundo, enfim, seus universos pulsantes a um jovem artista aprendiz que ali chegava.

Desta relação afetiva – lugar por onde anda o conhecimento – surge como imperativo a vontade de mostrar ao público em geral e aos alunos do Centro de Artes, a força plástica, poética, estética e educacional destas matrizes e artistas através de uma provocação à nova geração recém formada e em formação da/na escola de Artes – propor uma mostra que dê voz a este diálogo e que nos fale deste lugar, mais que a relação professor/aluno – uma conversa amigável, com seus encontros e confrontos necessários entre jovens e novos olhares. Sejam bem vindos.

Por Luciano Cardoso

Responder | Encaminhar Mensagem #112 de 403 < Ant | Próximo >
PUBLICIDADE

Acervo – curadoria – inventário – invenção – escala afetiva – exposição – exceção – apropriação – interferência

A proposta de pensar uma exposição de um acervo a partir de uma escala afetiva nos fez pensar e repensar vários conceitos desse nosso campo que entendemos como arte. Um campo já expandido pelas inúmeras experimentações e propostas, que não permitem mais uma categorização fechada, mas que ao mesmo tempo está cada vez mais institucionalizada e respondendo a questões vindas dessa poderosa Instituição de Arte.

Produzir arte contemporânea é isso: é lidar com uma imensa liberdade, mas estar sempre consciente do sistema da arte, do mercado de arte, da instituição de arte. Percebemos então, (e isso tudo fica muito evidente numa experiência como esta) que realmente o foco mudou de lugar, que aparentemente podemos tudo sim, mas que a obra agora não simplesmente ocupa um espaço na galeria ou no museu, e que a partir do momento em que a obra é exposta (ou que ela surge como uma proposição numa discussão como a nossa) ela faz parte desse campo expandido, e está exposta a interferências múltiplas, e não está resguardada nem mesmo quando está “guardada” numa sala de acervo de alguma galeria de arte.

Acredito que a nossa questão esteja justamente nesse lugar. E o que há de mais rico para ser exposto é justamente essa discussão, qual é o espaço ocupado pela obra na instituição de arte? A sala de exposição? O acervo? Ou ainda, como lidar com esse espaço de experimentação (como os parangolés de HO), de apropriação e de interferências (como o Ivo propõe), de discussão (como o nosso grupo) dentro da instituição?

Nosso papel é deixar tudo isso vir à tona, expor nossas dúvidas e fragilidades e ampliar o debate. Depois de pensar tudo isso, acho que os debates propostos na galeria com os artistas deveriam partir daí, afinal é disso que estamos falando o tempo todo.

Um beijo e abraço a todos,

mari

Responder | Encaminhar Mensagem #117 de 403 < Ant | Próximo >
PUBLICIDADE
Bom, estou chegando agora no debate… Um pouco tarde para alguns, mais acredito que dentro do meu tempo individual.
Não vou ficar aqui me explicando não, até pq pelo que já li, já o fizeram por min, e até achei bem pertinente às colocações do Luciano.
E diante de tantos questionamentos sobre o valor da presença e da importância do  dever de casa, gostaria de ressaltar que não foi pelo medo de ficar sem o recreio que optei por trazer aqui uma proposta.
Eu acredito que a obra de arte sofre inúmeras mutações durante a sua passagem pela terra, eu imagino que ela se modifique tanto quanto o seu autor, essas modificações muitas vezes são imperceptíveis, mais elas estão lá.
A partir do momento em que o Artista “termina” o trabalho, o mesmo já faz parte do mundo, e a partir dai, está sujeito às infinitas formas de intervenções, mesmo que quadro a 7 chaves dentro de uma redoma de vidro, o trabalho já deixou de ser o mesmo que saiu do ateliê (cabeça) do artista. Viajando nessa maionese mais profundamente, eu imagino que o trabalho só pode ser o que o artista propôs no momento que ele é, ou seja no momento que ele acontece pela primeira vez, depois disso, o que vem são apenas ecos e referencias do que o trabalho já foi um dia.
Logo eu gostaria de saber também a opinião das pessoas aqui do grupo sobre essa questão, o trabalho que está no acervo ainda é o mesmo que o artista deixou quando a exposição terminou ? A arte acontece duas vezes da mesma forma ? Um raio cai duas vezes no mesmo lugar ?
Eu acredito que não, pq até hoje nem um segundo da minha vida foi idêntico a um anterior, pra min o que já foi, foi e nunca será novamente o que já foi antes.


Pensando desta forma a minha proposta consiste na Modificação e purificação definitiva dos Trabalhos pelo Fogo.
pretendo utilizar um Lança Chamas ou coquetéis molotov (a decidir) dentro da Sala do Acervo e por fogo em todas as Obras ali depositadas.
Afinal se é patrimônio publico, eu me sinto um tanto quanto dono também
E mais, para não dizerem que estou só pensando no meu lado da diversão.
Vou elaborar um Lambe-Lambe ou Stick convidado a todos da comunidade assim quiserem participar deste ato, que seria um gesto muito simbólico, se forem buscar referências históricas sobre o significado de atear fogo a alguma coisa, inúmeras culturas vão apresentar suas lendas e verdades sobre o fogo.
A minha questão particular com o fogo é estética e poética, nada mais interessante do que por fogo nas coisas.
Em minha opinião as obras que estão no acervo está ali para preservar uma memória, memória essa que só poderia ser acessada da forma para qual foi planejada uma vez, por mais que aparentemente o quadro seja o mesmo, ele já não é pq o contexto já e outro, as horas já são outras, as pessoas também já são outras…
Então eu quero é assumir que esses trabalhos ali guardados são bem diferentes do que já foram um dia, e vão ficar mais diferentes ainda depois que eu interferir.
Pretendo libertar da obrigação destas pobres obras de arte de serem novamente o que já foram um dia pelo fogo, como é de consenso comum da nossa sociedade cristã.
E como nos tempos antigos vou convocar a todos que compartilham da mesma vontade que eu a participar.
Como já disse antes eu pretendo fazer essa convocação por meio informal, a idéia de vincular aos meios como jornal e radio tb me veio à mente, mais eu iria ter que dar tantas explicações que eu prefiro fazer no Underground mesmo, pq ai eu tenho a garantia de que as informações vão sair da Forma que eu desejo.
Eu acho que o dia de abertura da Exposição seria o mais adequado para comemorarmos a libertação do acervo, já imaginamos se alguma coisa dá “errada” é de tabela pega fogo na galeria toda ? Por fogo no EU literalmente ? O que acham disso ?
Bom não quero explicar muito mais também não, eu vim aqui pra confundir mesmo.
Essa é a primeira idéia que me veio à cabeça após ler os e-mails do grupo, e já aviso que estou usando um Elmo romano da antiga Constantinopla, tenho certeza que usando um artigo dessa importância muitas pedras simplesmente não seriam atiradas !

.. nao é fogo de palha… Lista de mensagens

Responder | Encaminhar Mensagem #119 de 403 < Ant | Próximo >
PUBLICIDADE

Uau! Eu sabia que depois desse papo de faisca, onde ha fumaça, e
combustoes a parte, alguem ia querer tacar fogo…kkk

Nao tenho medo de Bruxas e nem de encarar o oculto, esse papo de
queimar tudo pra mim sempre foi papo de gente frustada ou medrosa,
sim, medo de encarar o novo, medo de encarar um novo pensamento,
frustados por nao serem bem sucedidos como os q invejavam.

As ideias sobreviveram a Santa inquisição e estão aqui conosco hoje,
os vietnamitas sobreviveram a covarde Napalm (com muitas perdas e
dores), o Futurismo, ainda bem q nao colou, muito fraco em ideias
talvez por isso queriam queimar livros, destruir obras primas onde sem
referencias seriam “capazes” de defender mundos decadentes como se
fossem brilhantes, ( e olhe lá, acho q nem assim conceguiriam).De
tanto atear fogo na bandeira dos estados unidos, a bandeira americana
aparece mais do que a coca-cola nas mídias de massa.

De tanto queimar hoje muitos encaram altas temperaturas, e encararam
muitos outros agravantes, ao menos pensam em nao queimar mais!!
Como disse o cumpadi Diego: -Dá saudade!!!

Enfim, espero q vc tenha levantado uma questão apenas, como disse a
algumas mensagens antes, gsto de poder simular coisas para
reflexao…se for essa proposta uma simulação, que legal. Agora se
cogitar ser uma proposta real… Cuidado pra nao se queimar!!!E
buscando um gancho com se queimar: auto-flagelo nao queima ninguem
alem de vc mesmo mais fere o coração de uma humanidade, lembrando o
Monge Budista Thich Quang Duc que ateou fogo a si próprio em protesto
a Guerra do Vietnã 1963…

… um bom site para referencia do assunto :

http://www.revista.criterio.nom.br/dossietematico07_glossario.htm

evaporei…

Segundo o Dicionário Aurélio:

afetividade
[De afetivo + -(i)dade.]
Substantivo feminino.
1.Qualidade ou caráter de afetivo.
2.Psic. Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.

Segundo Gabriela Gro:

afetividade
[escalas afetivas x olhar sobre o acervo da EU]
proximidade – distância – atração – repulsa – palpável – intocável – mito – inacessibilidade – real – troca – reverberação – ecos – reflexões – brainstorm – revelações – rupturas – descobertas – vínculos – escalas – relações – agentes – desmistificação – discordância – potencialização – foco – proposições – pulsação – latência – acesso – discussões – olhares – difusão – multilateral – reconstrução – múltiplos – contato.

A minha proposta no Olhar sobre EU foi trazer à tona a escala afetiva de nós alunos/artistas/ pensadores com o “mito” Telma Guimarães, e a forma encontrada para fazer essa ligação foi através de cartas, uma vez que o texto, a escrita, sempre foi um ponto muito latente na vida de Telma e na minha.

Essa foi a ligação mais forte que tive com ela [e um ponto em comum muito inerente de ambas], uma vez que sempre soube da Telma [assim como a grande maioria dos alunos do Centro de Artes atualmente] através de relatos orais e textos que as pessoas que tiveram uma vivência mais próxima com ela escreviam sobre ela.

Através dessas cartas e em uma visita à sua casa pude sentir pessoalmente a generosidade e a grandeza dessa artista, e assim, com esse contato escrito, pude também trazer um pouco da artista Telma Guimarães para dentro da galeria, para o cotidiano e conhecimento de indivíduos que só imaginavam o “mito”, mas que nunca [ou poucas vezes] tiveram contato com essa artista que tanto fez e deixou de transformações, idéias, ideais e modo de vida e vivenciar a ARTE, em seu maior e mais puro sentido, dividindo assim esse presente que recebi/ recebemos [HnArte e público em geral] em função da exposição.

Gabriela Gro

mais em:

http://br.groups.yahoo.com/group/olharsobreacervo

Anúncios
    • Ivo Godoy
    • 24 de março de 2009

    Saudades dessas discussões !!! Um grande alou as moléculas amigas…vida longa HnA….

    • Gro
    • 25 de março de 2010

    Acervo Vivo aí e as discussões recomençando!!! Vida longa HnA!!!

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: