CEMUNI

Célula Modular Universitária – Nov – Dez 2007

Ocupação dos espaços internos/externos do prédio do CEMUNI II a partir de conceitos do site specific/ site specificity.

O projeto leva por premissa a relação das conformações físicas, históricas e de utilização do espaço, retomando o questionamento do que é arte/ do que é o artista, formado pelo Centro de Artes. Não se trata aqui de uma colocação política, mas de se retomar o debate a respeito de uma arte produzida, numa esfera muito maior que a do próprio espaço para que é concebida.

Inicialmente, a “tomada” dessa construção se dá por meio de um grupo de artistas, alunos e ex-alunos do Centro de Artes. Numa condição de intimidade com o ambiente, é possível, e quem sabe até inevitável, que o trabalho se sujeite a uma pessoalidade inerente às condições apregoadas a cada um.

Artistas participantes: Júlio Tigre, Mônica Nitz, Meng Guimarães, Ivo Godoy, Melina Almada, Renata Ribeiro, Elaine Pinheiro, Victor Monteiro, Gabriela Lima, Ludmila Cayres, Gabriel Borém, Mariana Moraes, Lucas Aboudib, Silfarlem Junior e Luciano Cardoso.

Algumas propostas de trabalho/reflexão acerca do site CEMUNI:


SEMUNI – sistema estético métrico modular único e impresso – Por Luciano Cardoso

Partindo de uma lembrança – vi alguns anos atrás, dentro do DEFA – hoje DAVI – uma maquete construída com caixas de fósforo e bases de isopor. Esta apresentava em escala o embrião do projeto de reforma do edifício. Pouco tempo depois ela desapareceu, provavelmente jogada fora, posta em desuso como conseqüência de nossos “novos” meios de projeção em escala – AUTOCAD’s, 3D MAX, programas de paisagismo, etc.
É deste esforço MEMÓRICO que surge meu trabalho – construir uma outra possibilidade de escala para mensurar o espaço ocupado pelo edifício, utilizando como padrão os retângulos pintados na área externa do prédio – estes espaços sinalizam, grosso modo, o que ali se fez, faz ou ainda pretende-se fazer. Mostra para quem não o habita o que é ou poderia ser – que confusão – penso ser esta a palavra que define o espaço neste momento. Várias escalas – afetivas, burocráticas, artísticas, morais (de rebanho, de grupo, corporativa, etc.) estão postas como redes de força em constante embate. Penso mais uma no corpo do edifício – uma escala física e afetiva – daí o esforço HERCÚLEO na tentativa não de impor, mas de possibilitar a inserção de mais um sistema, com forma e lugar definidos.
Como? – partindo da experiência de contar/visualizar como quem conta um ambiente em passos ou palmos – eu o contarei em formas. Obtendo, como resultado um numero correspondente de retângulos por face + os espaços das vias de acesso (portas) do CEMUNI – estas contaram como vãos vazados no sistema e serão instalados nos vãos vazados internos, situados entre as placas das paredes da área central do prédio. Os materiais utilizados na construção serão os mesmos da maquete de outrora – isopor e caixas de fósforos.
A escala será construída por processo de empilhamento nos vãos da área central do prédio – onde cada uma das formas dá conta de um retângulo-padrão contado. Cada face terá sua medida em formas encaixadas na sua face interna correspondente.

AULA: anti-quadro, mesmo – por Silfarlem Oliveira

O trabalho que apresentamos para a exposição Célula Modulada consta basicamente de uma lousa (quadro negro) – como as utilizadas em salas de aula, independentemente do curso, Arte, Historia, Física ou outro qualquer – e uma frase (“QUANTO MAIS ARTE MELHOR?”), escrita em branco.
Partimos da intenção de elaborar um trabalho que desloca um objeto de um uso para outro, pretendendo assim colocar em evidencia sua relação com a Arte. Neste caso não vamos retirar uma lousa da sala de aula e introduzi-la em um outro contexto, tampouco a utilizaremos em seu lugar de costume.
Entendemos que o que esta sendo deslocado aqui é o contexto da sala de aula para sala expositiva, gerando o cruzamento de questões que são produzidas a partir dessa situação. Sendo assim, não é necessário deslocar qualquer objeto nem da sala de aula para fora, nem ao contrário, de fora para dentro da sala de aula, mantendo um distanciamento do site specific como lugar físico e aproximando-o de um lugar discursivo, construído. Esta lousa seria então comprada e instalada em uma das paredes do pátio interno do CEMUNI 2, frequentemente utilizadas como espaço expositivo.
Esta construção do site se desdobra na pergunta que é inserida no quadro: “QUANTO MAIS ARTE MELHOR?”; uma pergunta que injeta um questionamento sobre a positividade da arte em suas ações, sejam elas pedagógicas, expositivas e/ou teóricas.
Deste modo, esta pergunta, neste contexto, recai sobre as práticas que são efetuadas entre alunos, professores, artistas e interlocutores. Assim, o site é pensado como lugar de questionamento e não de afirmação. Ao invés de estabelecermos uma referência sólida e enraizada, oferecemos uma articulação flexível em torno daquilo que construímos como site. Este pode, inclusive, questionar a si mesmo, colocando em dúvida a existência de um lugar inabalável.
Vejamos nosso caso, onde reunimos em um curso de arte alguns representantes para realizar propostas sobre este lugar: esta pergunta, feita aqui, recai sobre nós mesmos, já que como segue sem resposta não há como definir um posicionamento efetivamente mais válido que outro.
Ouvimos algumas vezes (talvez você também tenha ouvido) que em arte “mais é menos e menos é mais”. Assim sendo, a pergunta se transformaria, metaforicamente, em “QUANTO MENOS ARTE MELHOR?”. Mas caso a resposta a esta versão da pergunta fosse afirmativa, soaria algo antidemocrático, algo elitista, fazendo parecer que esta substituição não funcionaria, ao menos aqui, assim como tampouco a afirmação de que em arte “mais é menos e menos é mais”. Esta afirmação pode, inclusive, mascarar uma crença universalista, evitando apresentar-se declaradamente a favor de tal posicionamento. Um jogo político perigoso.
Por outro lado acreditar na afirmação “quanto mais arte melhor” é acreditar a priori em uma arte já feita, uma arte já pré-definida em um site com raízes muito claras. Custamos a defender esta afirmação, até porque acreditamos que a arte é algo sempre construído, sempre manipulável, como outras tantas atividades humanas.
Quanto mais arte melhor? Mesmo? Sim? Não?

mais em:

http://br.groups.yahoo.com/group/expocemuni2

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