Crítica

O que o mundo precisa…

O que o mundo precisa, é de não se preocupar com restituições, num sempre imediato e infinito inconstante de desculpas, talvez sim se preocupar em não ser uma eterna entidade reencarnada das tantas questões engendradas de uma natureza supérflua que é tão “super” que esquece de ser fluida.

Um “todo” muito generoso, porem que nunca espera por ninguém. Este que inevitavelmente tem a companhia dos despreocupados, que é seguido por insistentes companheiros da solidão enfezados com questões de ordem maior, ordem menor e coordenadas sempre semelhantes. Procura… Procura… Pró-cura para o que porventura seja inevitável diante dos olhos realmente fustigantes.

Antes bem que não pude ser quem sou hoje. Nem mesmo um elevado alcance supra-refletido de qualquer ideal implantado em mim e em meus contemporâneos, fora capaz de me antecipar os quartos e salas nem mesmo a moradia de meus últimos resíduos.

Espero o que não me chateia. Sem ser isso um mimo de sonhador.

– O mundo realmente precisa de sonhadores!

Os sonhadores que dormem no resigno do “todo”, aquele, que é acompanhado. Por quem? Se não lembras talvez seja por que o que eu escrevo agora é tão a toa que atordoa, nem cabe ao “todo” querer saber de um gênero perdido sem técnicas, ou pelo menos o reconhecimento de uma desconexão tão descontroladamente ruidosa. E é ai que se faz alguma constância, por que o movimento que tanto tende a generalização não se furta de ação degenerada, e…

– Infelizmente, faz-se imagem de tudo, na arrogância de querer o “todo”.

Se ao menos realizassem o consolo da desconstrução de uma peça que o mundo talvez, nunca mais venha ter… Mesmo que não precise… Reverberando mimos para existência… ou talvez ainda sejam poucos fótons pra muita impregnação, e a resignação não passa de…

 Por Ivo Godoy

___________________________________________

 

Ossos de um ofício.  algumas reflexões Sobre a Exposição “Superfícies” – de Luciano cardoso

 

Em 1994 conheci Lunegão na UFES, desenhando em pedaços de tecido com caneta esferográfica. Naquela época seu desenho era uma caligrafia tosca e ininterrupta, sem nenhum planejamento. Sua forma orgânica espalhava-se como uma chaga sobre o papel, plástico, eucatex, isopor, etc. tudo sobras que encontrava por onde andava. Nos desenhos que não possuíam um foco e de narrativa difícil, identificávamos uma série de personagens desmembrados em meio a móveis antropomórficos que faziam par na orgíaca proliferação de imagens.

Mais tarde me deparei com seus objetos, eram como materialização de algumas das formas desenhadas; ainda sobras diárias como nos pedaços de um bongô: as pontas dos dedos de “ogum”, falanges de inox articuladas, um souvenir.

Agora estamos diante destas pinturas, trabalho maduro onde o fragmento de seu desenho como uma célula tronco reveste toda a superfície.  Autônomas, não carecem de interpretações ou qualquer comentário, são delicadas tecituras, melhor o silêncio para ouvi-las.

Falem baixo por favor.

                                                               por  Júlio Tigre

  

___________________________________________

  

 LEGENDA VERBAL PARA SUPERFÍCIES 

        

Simples estruturas que não se colocam como meio de representações do real, mas sim como uma construção nas quais superfícies vão se tornando realidades próprias, através da atuação tanto das tintas quanto das papietagens.

Superfícies ativas por ações de fragmentos, manchas, traços transitórios… planos que não dão certo por serem proposições que não fazem questão de caber em frase de efeito. Não há frase, nem efeito. Somente estruturas: elementos dignos de olhar. Indignação da leitura: obra não está aberta e só evidencia sua capa. Capa de materialidade pictórica não é apenas um objeto de estudo. Abjeto de ex-tudo. Tudo que se propõe ali são estruturas para ser vistas, não lidas. Leia isto e não as obras.

Procedimentos + Resultados = Processo

Não há imagem que possa dar significação por obras não nascerem sob qualquer signo. Obras morrem sendo signos, vítimas do olhar que a vela e a enterra em seus resultados, buscando revelar os procedimentos pictóricos ali (pro)postos.

Resumo: o morto se pretende como a melhor metáfora da vida por ali se estabelecer o resultado de todos os procedimentos ocorridos anteriormente.

Morrem sendo signos para evidenciar seus procedimentos: estruturas, formas, pinceladas, demarcações… marcas. Estado de coisas assumidas como novas coisas, como objetos que existem e se extinguem em si mesmos, sem acabar em palavras porque terminam em pontos finais… como este texto.

                                                                        Por  David Caetano.

  

___________________________________________

 

Vários tempos em carimbos insistentes,

trazendo uma superfície cheia de uma ânsia “casca grossa”…

…compulsão que gera repetição, que gera compulsão,

que gera repetição…

                                                                      Por Tatiana Sobreira

 

 ___________________________________________

 

 

 Das Batalhas Silenciosas

 por Melina Almada

 sobre Gabriel Sampaio

 

A inexistência.  Diante daquilo que ainda não tem forma, a busca.  Portando alguns materiais, idéias, portanto.  Dividido entre o antes e o depois está o presente.  A pintura.  Não há modos de especificá-la, entretanto nunca foi tão particular.  Se, como afirma Judd[1] na década de 60, os melhores últimos trabalhos produzidos, não são nem pintura nem escultura, devemos com ele concordar?  Por que, existem aí duas questões: uma nomenclatura que não consegue mais abarcar o objeto; e o objeto que metamorfoseado não consegue mais estar inserido em nomenclatura alguma.  Contudo, algumas características ainda permanecem e qualificam os trabalhos ao menos, em bi ou tridimensional.  Perante tais modificações de conceitos e de forma, a permanência em dois mundos, o bi e o tridimensional, permite que a obra transite por espaços distintos sem perder suas características originais.   Eis que emerge então uma nova questão.  Imagine um cubo.  Sim, Judd, um cubo.  De madeira, aglomerado, que seja.  Então, inversamente ao processo de adição caro à pintura, inicia-se um processo de desconstrução.  Primeiro desmonta-se o cubo.  Organizam-se as partes.  Escolhem-se, quantas?  Depreda-se as partes escolhidas.  A forma retorna ao seu estado quase original.  As placas, que geraram o cubo, retomam sua posição inicial. 

A superfície, que já apresentava certa irregularidade entre o papel branco que a reveste e o aglomerado que a preenche, é, em uma ação metódica e ao mesmo tempo voraz, escarificada.  Sangrando, deixa mostrar seu interior.  Cria planos.  Linhas. Manchas.  E alguém há de me dizer que não é pintura?  Só que ao mesmo tempo ocupa um lugar tão determinado no espaço, e conhecendo suas origens, não posso deixar de afirmar que é também escultura. É só arte.       

 


 

[1] JUDD, Donald.  Specifics Objects.

 

___________________________________________

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: